Agronegócio gaúcho cria mais de 4 mil empregos formais em novembro

Pelo segundo mês consecutivo, o Rio Grande do Sul registrou saldo positivo de empregos formais no agronegócio. Em novembro, o número de admissões (14.570) foi superior ao de desligamentos (10.418), resultando na criação de 4.152 postos de trabalho com carteira assinada. Os dados foram divulgados pela Fundação de Economia e Estatística (FEE) nesta quinta-feira (4).

Os três segmentos do agronegócio gaúcho aumentaram o número de empregos em novembro, assim como já havia acontecido em outubro. Segundo o economista Rodrigo Feix, coordenador do Núcleo de Estudos do Agronegócio da FEE, o resultado mais expressivo ocorreu no segmento “dentro da porteira”, formado por atividades características da agropecuária. Nesse segmento, o acréscimo de 2.243 postos foi liderado pelos setores de produção de lavouras permanentes e temporárias. “A atividade que mais contribuiu para esse saldo foi a de cultivo de frutas, com mobilização expressiva de mão de obra para a colheita da maçã no Município de Vacaria, o que resultou em mais 1.341 postos”, explica Feix.

No segmento “antes da porteira”, constituído por atividades dedicadas ao fornecimento de insumos, máquinas e equipamentos para a agropecuária, foram criados 1.283 postos de trabalho com carteira assinada. O maior saldo positivo foi no setor de produção de sementes e mudas certificadas, com mais 1.749 empregos. “Esse movimento concentrou-se no Município de Cruz Alta, onde foram criados 1.729 empregos nesse setor”, aponta o economista da FEE. Já os destaques negativos em novembro no segmento “antes da porteira” foram os setores de fabricação de adubos e fertilizantes (-266 postos) e de fabricação de tratores, máquinas e equipamentos agropecuários (-240 postos). Para Feix, isso acontece porque, com o avanço no ciclo vegetativo das culturas de verão, o último trimestre do ano é marcado pela redução da atividade da indústria de fertilizantes para uso agrícola. O pesquisador destaca ainda que, na indústria de máquinas e implementos, os últimos meses do ano também não costumam ser favoráveis para a criação de empregos. “O encolhimento do quadro funcional das empresas do setor no RS também pode ser explicado pela queda de 11% na produção brasileira de máquinas agrícolas em novembro, como mostram as estatísticas da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea)”, afirma.

No segmento “depois da porteira”, composto por atividades agroindustriais e de comércio atacadista, houve incremento de 626 postos de trabalho. Nesse segmento, foram criados 774 empregos no setor de fabricação de conservas e 417 empregos no setor de abate e fabricação de produtos de carne. Já o setor com maior saldo negativo foi o de comércio atacadista de produtos agropecuários e agroindustriais. “Isso se nota principalmente no comércio da soja, cujas empresas incrementaram os desligamentos em função da redução nas movimentações de carga”, justifica Feix.

Na comparação com novembro de 2016, o acréscimo de postos de trabalho em novembro de 2017 foi superior, com diferença de 114 empregos. Enquanto em novembro de 2016 foram criados 4.038 empregos, em 2017 o incremento foi de 4.152 postos com carteira assinada. Na comparação desses dois meses, o setor com maior variação positiva no saldo de empregos foi o de produção de lavouras permanentes.

Os dados calculados e divulgados pela FEE indicam que, no acumulado de janeiro a novembro de 2017, foram criados 8.075 empregos com carteira assinada no agronegócio gaúcho. Em igual período de 2016, o saldo entre admissões e desligamentos foi de 8.554 empregos, resultando, portanto, em uma variação negativa de 479 postos. Na comparação entre os 11 primeiros meses de 2016 e de 2017, o setor que mais melhorou seu saldo de empregos no período foi o de produção de lavouras permanentes, seguido pelos de abate e fabricação de produtos de carne e de fabricação de tratores, máquinas e equipamentos agropecuários. Já os setores que mais pioraram seu saldo de empregos foram os de fabricação de conservas e de produção florestal.

Confira a íntegra dos dados.

Gisele Reginato – Jornalista

Texto: Núcleo de Imprensa - FEE