Agropecuária ameniza o resultado negativo do PIB gaúcho em 2015

A taxa de crescimento acumulada do PIB do Rio Grande Sul em 2015 fechou com sinal negativo: – 3,4%, com Valor Adicionado Bruto de -2,7%. O resultado, no entanto, é melhor que o obtido no País, com uma taxa de – 3,8%. A economia gaúcha teve um desempenho melhor que o brasileiro devido ao bom resultado da agropecuária, que registrou taxa de 13,6% de crescimento no acumulado do ano. Os números, que incorporam as mudanças conceituais e metodológicas realizadas nas Contas Nacionais, foram apresentados nesta quarta-feira, 13, pelo Núcleo de Contas Regionais da FEE. A nova metodologia permite a comparação com a economia brasileira.

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Economistas da FEE : Roberto Rocha (E), coordenador do Núcleo de Contas Regionais; Igor Morais, presidente da Fundação e Juarez Meneghetti, supervisor do Centro de Indicadores Econômicos e Sociais

A taxa de -6,3%, registrada no quarto trimestre do ano passado, a maior negativa trimestral (o 3º trimestre havia registrado -6,0%), contribuiu para o baixo desempenho no fechamento do ano. Em 2015, com exceção da Agropecuária, as demais atividades econômicas registraram taxas negativas: Serviços (-2,1%) e Indústria (-11,1%).

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Se a Agropecuária permitiu que o resultado gaúcho não fosse pior que o brasileiro, na Indústria, seus quatro segmentos contribuíram negativamente para o desempenho em 2015. “Lideradas pela indústria de transformação, que caiu 13,5%, construção (-6,6%) e indústria extrativa (-5,2%) também tiveram reduções significativas, com a queda de 0,8% da eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana sendo a mais leve”, destaca Roberto Rocha, coordenador do Núcleo de Contas Regionais. Com a maior taxa negativa entre as grandes atividades, a indústria contribuiu com -2,3 pontos percentuais da queda do PIB do RS em 2015, ou 68% da taxa.

No setor de Serviços, o comércio registra o pior desempenho, com taxa de -10,3% . O grande destaque negativo do comércio foi a venda de veículos, com uma redução de 27,9% em relação a 2014. “Aumento do desemprego, redução dos rendimentos reais e deterioração das condições de crédito (aumento dos juros e da inadimplência) são os elementos explicativos preponderantes na queda da atividade aqui no Estado”, pondera Roberto.

A arrecadação de impostos também registrou uma queda expressiva em 2015: -8,0%, o que se reflete diretamente nas condições financeiras do Estado. “Os dois componentes da taxa trimestral do PIB tiveram taxas negativas, mas enquanto o VAB diminui 2,7%, a taxa de crescimento em volume dos impostos sobre produtos caiu mais que o dobro do agregado de renda da economia. Esta diferença entre as taxas reflete a maior incidência dos impostos sobre produtos na indústria, majoritariamente, e nos serviços, principalmente em alguns segmentos, com uma menor arrecadação na agropecuária. A contribuição dos impostos na taxa acumulada ao longo do ano do PIB em 2015 foi negativa em 1,1 ponto percentual, o que representa 32% da taxa”, explica Roberto.

O desempenho da Agropecuária, que garantiu a mitigação do resultado final do PIB, contou com condições meteorológicas positivas para os segmentos de maior expressão e  fatores econômicos incidentes, como a desvalorização do real frente ao dólar  e exportações. Novamente, a Soja em grãos teve o maior crescimento, com taxas de 20,4%. “Realizado sobre um alto nível de produção de 2014, o crescimento de 20,4% na colheita da soja foi resultado do aumento tanto da área (5,6%) quando da produtividade (14,1%). Pode se elencar como elementos que propiciaram esse desempenho a continuidade de bons preços em reais e condições climáticas adequadas”, aponta Roberto.

O Produto Interno Bruto per capita, teve uma variação real de -3,7 % no comparativo de 2015 com 2014, “refletindo o fato que um menor volume de produção deve ser dividido por uma população menor”, explica Roberto. Na comparação com o PIB per capita nacional, devido à menor queda no PIB, às modificações nos preços relativos e ao menor crescimento populacional no Estado que no país, a razão entre eles (RS/Brasil) passou de 1,15 para 1,20.

De acordo com o presidente da FEE, economista Igor Morais, a expectativa para 2016 é que o Rio Grande do Sul acompanhe o desempenho da economia brasileira. “A saída para a economia gaúcha é o Brasil, porque é o grande destino dos nossos produtos e serviços. Não tem como descolar os nossos resultados do desempenho brasileiro. A exportação é uma alternativa importante e complementar, mas alguns setores, principalmente da indústria, como máquinas e equipamentos, por exemplo, ainda devem demorar para se recuperar” analisa.

Os dados completos estão disponíveis no Portal da FEE

Sandra Bitencourt- Jornalista

Texto: Núcleo de Imprensa - FEE