Carta de Conjuntura traz análises sobre salário mínimo na RMPA e as exportações como saída para a crise da indústria automobilística

A Carta de Conjuntura de janeiro de 2016, divulgada pela FEE nesta terça-feira (12), traz como destaque as análises ‘Salário mínimo e empregos de baixos salários na RMPA’ e ‘Crise na Indústria Automobilística: Saída Via Exportações?

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Economistas Raul Bastos (E), Rodrigo Morem da Costa e Martinho Lazzari na coletiva de imprensa da primeira edição da Carta de Conjuntura de 2016

Na capa, o economista da FEE Raul  Bastos responde se o processo de valorização do salário mínimo auxiliou a reduzir a diferença salarial na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA) nas últimas duas décadas (1995 a 2014). Para a análise, o pesquisador  mostra como o salário mínimo, um dos instrumentos de regulação sobre os trabalhadores de baixos salários mais estudados na literatura internacional, pode ter alcance contra baixos padrões remuneratórios, mais abrangente ou limitado a determinados setores produtivos. “No que se refere ao nível do salário mínimo, quanto mais elevado ele for estabelecido em comparação ao salário médio, maior será a sua capacidade de reduzir a parcela relativa de trabalhadores de baixos salários na economia. Como este segmento de trabalhadores está inserido na base da estrutura salarial, a fixação do salário mínimo com maior proximidade do salário médio significa que o ponto de corte na parte inferior da distribuição de salários irá truncá-la mais acima, limitando a incidência de empregos de baixos salários”, explica. A referência adotada para a mensuração do segmento de trabalhadores de baixos salários é a definição da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que corresponde aos empregados que recebem menos de dois terços da mediana do salário hora da economia. A hipótese proposta no trabalho é a de que o processo de valorização do salário mínimo real no período de 1995 a 2014 (+ 106%) contribuiu para reduzir a desigualdade da estrutura salarial e, correlatamente, a incidência de empregos de baixos salários. “Ocorreu uma queda da desigualdade salarial na RMPA, no período, e esta foi influenciada pelo processo de valorização do salário mínimo real”, afirma Raul.

Alguns dados exemplificam as condição de desigualdade investigadas no estudo. O pesquisador comparou a condição de mulheres negras adultas e homens não negros. Em 95, das mulheres negras, 47,5% recebiam baixa remuneração, contra 11,7% dos homens não negros. A diferença persiste em 2014, mas se reduziu para 22% entre as mulheres negras e 6,5% entre os homens não negros. Com relação à escolaridade, a incidência de baixos salários é maior entre os trabalhadores de ensino fundamental incompleto. Mas ainda assim houve avanço. Mesmo entre os trabalhadores que permaneceram na posição de baixa remuneração, houve uma melhora de 50,25% do nível de renda.

Na contracapa da edição, o economista da FEE Rodrigo Morem da Costa mostra que a partir de setembro de 2013 é possível avaliar que o setor automotivo brasileiro passa por uma crise, após o crescimento robusto de 2003 a 2012. “Considerando-se os meses de janeiro a novembro frente a igual período do ano anterior, as vendas de autoveículos se reduziram em 0,8% em 2013, 8,4% em 2014 e 25,2% em 2015 (ANFAVEA). Em paralelo, as exportações caíram entre setembro/2013 e novembro/2015, retraindo-se 38,3% em quantidade e 44,7% em valor (MDIC)”, revela. De acordo com o pesquisador, dentre os fatores que explicam a queda no setor estão a crise política, a desaceleração da economia, o aumento do desemprego, as restrições ao crédito e a elevação nos preços dos veículos. Na análise, Rodrigo Morem propõe avaliar o efeito potencial do Plano Nacional de Exportações (PNE), lançado em 2015, sobre a indústria automobilística , compreendendo sua organização internacional.. “ O Brasil foi escolhido como base de produção para atender a demanda do Mercosul e da América do Sul, bem como, de outras nações emergentes em patamar similar na América Latina e África. Assim, o País deteve 79,3% da produção do continente sulamericano em 2012 e a Argentina 17,8% (OICA). Logo, as possibilidades de exportação de autoveículos e autopeças do Brasil tendem a serem direcionadas para essas regiões”, explica. As conclusões apontadas pelo pesquisador são de que o esforço do PNE está correto ao buscar estabelecer acordos comerciais com os países da América do Sul com maior potencial para o crescimento de sua demanda por autoveículos, no entanto, o efeito no curto prazo tende a ser limitado para tirar o setor da crise. “A saída da crise no setor automotivo tende a passar mais pela retomada do crescimento do mercado nacional, mediante estabilização política e ajuste fiscal, seguido de retomada das políticas de desenvolvimento econômico e social”, avalia.
A primeira Carta de Conjuntura de 2016 traz ainda os seguintes estudos dos pesquisadores da FEE: A COP21 aposta na posição dos cientistas do Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas (IPCC);A emergência do Estado Islâmico: causas e inquietaçõesExpectativa de vida ao nascer no Rio Grande do Sul, no período 2000-14Distribuição dos setores da economia gaúcha por municípiosVulnerabilidade social nos Coredes do Rio Grande do SulO mito do ajuste não iniciado.

 

Sandra Bitencourt- Jornalista

 

 

 

Texto: Núcleo de Imprensa - FEE