Desemprego aumenta pelo sétimo mês seguido na Região Metropolitana

A taxa de desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA) manteve trajetória de crescimento em setembro, sétimo mês consecutivo de elevação do indicador. Houve também redução do nível ocupacional e o rendimento dos principais grupos ocupacionais teve desempenho desfavorável. É o que apontam os dados divulgados nesta quinta-feira, 29, pela FEE, em parceria com o DIEESE e a FGTAS.

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Da esquerda para direita, na divulgação: Iracema Castelo Branco (Pesquisadora da FEE), Martinho Lazzari (Diretor Técnico da FEE), Virgínia Donoso (Pesquisadora do DIEESE) e Michele Bohnert (Pesquisador da FGTAS)

Desde março, a taxa de desemprego total da RMPA segue em elevação e, em setembro, atingiu os dois dígitos: passou para 10,1%. Em agosto, estava em 9,7%. Essa é a maior taxa para o mês de setembro desde 2009. “Esse aumento pode ser explicado por dois motivos: redução da atividade econômica, que tem impacto na redução do nível ocupacional, na quantidade de empregos; e crescimento da População Economicamente Ativa (PEA), ou seja, mais pessoas estão procurando uma oportunidade de trabalho”, explica a economista Iracema Castelo Branco, coordenadora do Núcleo de Análise Socioeconômica e Estatística da FEE.

O número total de desempregados em setembro foi de 190 mil pessoas, aumento de 6 mil indivíduos em relação ao mês anterior. Esse resultado é decorrente da retração do nível ocupacional (menos 21 mil pessoas) ter sido superior à retração da PEA (saída de 15 mil pessoas do mercado de trabalho). A economista do DIEESE Virginia Donoso avalia que a retração do nível ocupacional neste ano é de caráter diferente do que ocorria em 2014. “No ano passado tínhamos uma retração do nível ocupacional muito mais em função de uma estabilização da economia porque as famílias tinham renda para postergar a entrada de pessoas no mercado de trabalho. Hoje a queda do nível ocupacional é porque o mercado não está absorvendo as pessoas, há demissão nas empresas e o nível de atividade econômica está caindo”, avalia Virgínia.

O informe de setembro revela a aparição da taxa de desemprego oculto, que foi de 1,3%. Para os dados mensais, não se tinha amostra dessa taxa desde setembro de 2012. “O desemprego oculto está vinculado tanto ao trabalho precário, que são aquelas ocupações em que a pessoa faz bico e atividades irregulares por sobrevivência, enquanto não consegue um emprego mais formal; e também se vincula à situação que chamamos de desalento que se refere àquelas pessoas que desistem por um período de procurar emprego porque entendem que não vão conseguir, por desestímulos no mercado de trabalho”, detalha Iracema.

A renda dos principais grupos ocupacionais reflete a retração, apresentando desempenho desfavorável: o rendimento médio real dos ocupados caiu 0,3%, o dos assalariados diminuiu 0,8% e o dos trabalhadores autônomos, 7,3%.

Confira os dados completos e o comportamento do mercado de trabalho em 12 meses.

Gisele Reginato – Jornalista

Texto: Núcleo de Imprensa - FEE