PIB trimestral: economia gaúcha apresenta um desempenho mais favorável que o nacional

PIB do RS cai menos e construção civil é destaque positivo

Pelo segundo trimestre consecutivo, a economia gaúcha apresenta um desempenho mais favorável que o nacional, apesar de ambos os cenários serem ainda de retração. Os dados do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre de 2016 foram divulgados nesta terça-feira (13) pelo Núcleo de Contas Regionais da Fundação de Economia e Estatística (FEE).

Em relação ao mesmo período de 2015, a taxa de crescimento do PIB do RS foi de -3,1%, enquanto a queda na economia brasileira foi de -3,8%.  Em ambos os casos, o cenário recessivo foi menor do que o registrado no primeiro trimestre de 2016, e, no comparativo com o desempenho da economia nacional, o RS traz resultados melhores em todas as grandes atividades: agropecuária (-0,8% no RS e -3,1% no Brasil), indústria (-2,5% e -3% respectivamente) e serviços (-2,0% e -3,3% respectivamente). O Valor Adicionado Bruto (VAB) total no trimestre teve queda de 2,6% no RS, e os impostos líquidos caíram 7%. O recuo na arrecadação de impostos resulta da queda de algumas atividades com peso significativo na arrecadação de impostos, basicamente fumo e derivados de petróleo.

gráfico PIB

Fonte: FEE

O destaque positivo do setor industrial foi o de construção, que, apesar de apresentar uma taxa modesta no trimestre, 1%, é o primeiro resultado de crescimento depois de oito trimestres de redução em um setor com peso significativo tanto na geração de empregos quanto na estrutura econômica do Estado.

Gráfico PIB construção

Fonte: FEE

 

Segundo Roberto Rocha, coordenador do Núcleo de Contas Regionais da FEE, “como o nível de atividade recuou muito nos últimos dois anos e o estoque de imóveis à venda também está baixo, qualquer atividade que cresce impacta o valor adicionado pela construção”. Apesar de modesto, e ainda com um nível de atividade significativamente inferior, o crescimento do setor tem um impacto importante no nível de ocupação, tanto de empregados como de trabalhadores por conta própria, pondera o economista.

Também foi significativa a queda menor da indústria de transformação (-7,6% no trimestre anterior e -5,3% neste) que decorreu da melhora da maioria das atividades tanto pelo crescimento, quanto pela redução da queda. A explicação principal para o resultado vem da exportação da indústria de transformação, que cresceu 13,5% em volume no trimestre.

 No setor serviços, o comércio diminuiu sua queda no trimestre (-6,8% contra -8,3% no primeiro trimestre de 2016). A atividade de transporte cresceu 1,4% no trimestre, sendo o destaque positivo.

Já na agropecuária, embora o resultado tenha sido negativo (-0,8%), observa-se uma melhoria com relação ao primeiro trimestre de 2016, pelo desempenho da safra de soja no período. Já o arroz, devido a problemas climáticos, e o milho, pela redução da área plantada, prejudicaram o VAB do setor. A pecuária manteve a contribuição positiva para a atividade.

mesa Pib

Para o Diretor Técnico da FEE, economista Martinho Lazzari, as perspectivas de curto prazo para a economia gaúcha “dependem da continuidade dos fatores positivos que impactaram a economia regional no último trimestre, como os bons desempenhos das exportações e das atividades de construção. No médio prazo, a retomada do crescimento dependerá, por um lado, da melhora do quadro geral da economia brasileira e, por outro, das condições climáticas que podem afetar a agropecuária do estado durante a próxima safra de verão”.

Anelise Rublescki – Jornalista

Texto: Núcleo de Imprensa - FEE