Estimativas populacionais: tendência de envelhecimento da população se mantém

A Fundação de Economia e Estatística (FEE) divulgou nesta quinta-feira (31) a atualização das estimativas populacionais dos Rio Grande do Sul e seus municípios para o ano de 2016. O levantamento é realizado pelo Núcleo de Demografia e Previdência (NDP) da FEE e permite conhecer a evolução populacional gaúcha, com segmentação de sexo e grupos etários em cada município, região ou Coredes do RS. Calculado anualmente desde 2001, o estudo integra também a atualização do PopVis, o portal demográfico da FEE, aplicativo gratuito que permite a visualização, de maneira interativa, dos dados de demografia do Rio Grande do Sul.

Estatísticos Pedro Zuanazzi (E) e Mariana Bartels, Diretor Técnico da FEE, Martinho Lazzari, e Juarez Meneghetti, Supervisor do Supervisor do Centro de Indicadores Econômicos e Sociais durante a coletiva de imprensa.

Trata-se de um detalhamento que permite saber quantas crianças, por idade, residem em cada município, possibilitando um melhor planejamento para campanhas de vacinação ou para o acompanhamento de indicadores de diversas áreas, como por exemplo a mensuração das taxas de matrículas escolares. Analogamente, as estimativas apontam quantos jovens de até 19 anos ou mulheres de 80 ou mais vivem no RS, dentre diversas análises disponíveis.

Esse amplo grau de detalhamento é possível porque as estimativas são produzidas a partir dos registros de nascimentos e óbitos do Estado, além de variáveis auxiliares como o número de matrículas no ensino fundamental.  O estudo, elaborado pelos estatísticos Pedro Zuanazzi e Mariana Bartels, conta com a supervisão de Juarez Meneghetti.  “A população é a base para a maior parte dos estudos sociais. Sem as estimativas, por idade e sexo, não é possível mensurar a maioria das taxas de criminalidade, de saúde ou educação. Mais do que isso, as estimativas auxiliam também o setor privado, pois apontam as dinâmicas demográficas dos públicos alvos das empresas. Se pretendo abrir uma faculdade, posso verificar em que regiões vêm crescendo a população de 18 a 24 anos, por exemplo.” explica Zuanazzi, Coordenador do NDP.

O estudo também oferece um comparativo da evolução populacional desde 2001, primeiro ano da série histórica.

Pirâmide etária

Observa-se que a tendência de envelhecimento da população se mantém, com o maior aumento populacional ocorrendo na faixa etária acima de 60 anos. O número de idosos (60 anos ou mais) no Estado atinge 1,8 milhão de pessoas: 16,06% da população total de 11,3 milhões de habitantes do RS. Entre os idosos elas são maioria absoluta: para cada 100 mulheres de 60 anos ou mais há apenas 76,3 homens. Entre as pessoas de 80 anos ou mais essa proporção é ainda maior: 50,66.

Já na população total, há uma relação de 94,8 homens para cada 100 mulheres (são 5.492.563 homens e 5.793.937 mulheres).

Os dados do Núcleo de Demografia e Previdência da FEE evidenciam que os pequenos municípios dos Coredes Vale do Taquari, Serra, Fronteira Noroeste e Norte concentram os maiores percentuais de idosos no Estado. O destaque é Coqueiro Baixo, no Vale do Taquari, que ocupa a primeira posição com 37,45% da população com 60 anos ou mais. Para Zuanazzi, isso ocorre porque “tratam-se de pequenos municípios que sofreram uma elevada emigração de jovens nas últimas décadas, impactando em um elevado percentual de idosos, pois esses permanecem nessas pequenas cidades por serem menos propensos a migrar”.

Destaca-se, também, o número de nascimentos no Rio Grande do Sul, que em 2016, cai pela primeira vez desde 2010, voltando a patamares de 2013, com um total de 141,4 mil Nascidos Vivos.  Ainda assim, a faixa etária de 0 a 4 anos atinge o maior contingente desde 2009, com 716 mil crianças.

O RS tem um percentual de crianças com até 9 anos de 12,35%.  Redentora é o município com maior percentual de crianças com até 9 anos (16,98%), embora observe-se que municípios mais populosos, como Alvorada e Canoas, também estejam na lista daqueles com alto índices de crianças. “Os municípios da RMPA possuem um percentual elevado de crianças, tanto porque possuem maiores taxas de natalidade do que Porto Alegre, quanto porque recebem população por migração da capital, realizada principalmente por jovens em idade de ter filhos.” aponta Zuanazzi.

O número de óbitos mantém crescimento gradual, alcançando 87,5 mil e o crescimento vegetativo (relação nascimentos – óbitos) volta a cair, atingindo 53,9 mil em 2016, em comparação a 66,0 mil em 2015.

Crescimento populacional em diferentes regiões

Analisando os últimos seis anos, para o período 2010 a 2016, Caxias do Sul é o município que mais ganhou população (em valores absolutos) no RS (26.777 pessoas), enquanto que Uruguaiana apresenta a maior perda absoluta (-3.696), refletindo a tendência de deslocamento da população da região oeste do estado para a região leste.

Nesse mesmo período de 6 anos, Porto Alegre, maior município do estado, ganhou 18.796 habitantes, ocupando a segunda colocação. Porém, esse percentual representa um crescimento de apenas 1,29%, bem abaixo da média do estado, de 2,43%. O crescimento relativo de Caxias do Sul, por sua vez, foi de 5,96% no mesmo período.

O Corede Litoral Norte concentra o maior aumento percentual entre 2010 e 2016, com um crescimento de 9,38%. Parcialmente, pode-se explicar o fenômeno “O Litoral sempre será uma região de alto crescimento populacional, até mesmo devido à grande quantidade de domicílios de uso ocasional, proporcionando uma opção de moradia na aposentadoria ou mesmo durante a fase laboral”, destaca Zuanazzi.

Íntegra dos dados 2016

Série histórica dasEstimativas Populacionais

Anelise Rublescki – Jornalista FEE

Texto: Núcleo de Imprensa - FEE