FEE divulga Carta de Conjuntura de agosto

A Fundação de Economia e Estatística (FEE) divulgou nesta terça-feira (11) a Carta de Conjuntura do mês de agosto. A pesquisa da capa, de autoria do economista e pesquisador Jaime Carrion Fialkow, pontua que, nos últimos meses, como o resto do País, o Estado viu diminuir o crescimento: o Produto Interno Bruto (PIB) recuou 1,3% no primeiro trimestre de 2015, em relação ao mesmo período de 2014, o que pode modificar tendências regionais. Para o economista, uma forma de identificar essas tendências é analisar dados setoriais e, pela estrutura das regiões, inferir o impacto nestas.

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Pesquisadores da FEE, durante apresentação da Carta de Conjuntura: Jaime Carrion Fialkow (esq), Társon Núñez e Martinho Lazzari, Diretor Técnico.

 

“A retração é mais forte na indústria, cuja produção física estadual caiu 11,5% nos cinco primeiros meses de 2015, quando comparada à do mesmo período de 2014, segundo a Pesquisa Industrial Mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As produções de máquinas e equipamentos e de veículos automotores caíram 25% e 29% respectivamente. O impacto maior tende a ocorrer nas regiões nordeste (eixo Porto Alegre—Caxias do Sul), sudeste (Rio Grande) e noroeste (nos vários centros regionais)”, pondera Jaime Carrion Fialkow.

Segundo o pesquisador, Porto Alegre e Caxias do Sul têm estrutura produtiva mais sólida e diversificada e capacidade atrativa elevada, indicando maior resistência a dificuldades. Rio Grande, por sua vez, tem crescimento recente, após décadas de decadência relativa. A cidade depende do Polo Naval e da Petrobrás, com pouca capacidade de atrair outros setores, o que a torna vulnerável: uma retração do Polo pode abortar a recente expansão, afundando consigo a economia local vinculada à renda industrial.

Já nas regiões noroeste e sudoeste do RS, cujas economias giram em torno da agropecuária e da agroindústria,“a agricultura apresentou safras recordes em 2013/14 e 2014/15, mas a queda dos preços das commodities impediu um crescimento expressivo em valor, em especial, da soja, ainda que a recente desvalorização cambial compense a rentabilidade no primeiro momento. A perspectiva da manutenção de preços baixos preocupa nas regiões”, analisa Jaime Carrion Fialkow. Íntegra

Em outra pesquisa, destaque para as indústrias criativas, que estão entre os setores mais dinâmicos da economia mundial. “Em 2011, mesmo nos marcos da crise internacional, as exportações mundiais de bens e serviços criativos chegaram a US$ 624 bilhões, mais que o dobro de 2002, com um crescimento médio de 14% ao ano” afirma o pesquisador em Ciência Política Tarson Núñez. Considerando apenas os bens criativos, as exportações provenientes dos países em desenvolvimento correspondem a 43% do comércio total.

“Das diversas cadeias que compõem a economia criativa, a do audiovisual é uma das que tem maior potencial no RS, na medida em que já dispõe de uma estrutura institucional organizada, políticas públicas em operação e capacidade competitiva em escala nacional”, analisa Tarson.

O RS já ocupa um espaço significativo no mercado brasileiro, sendo hoje o terceiro polo de produção audiovisual do País. A produção cinematográfica do País passou de uma média de 22 filmes por ano no período 1995-2002 para uma média de 66 filmes por ano entre 2003 e 2012 e, atualmente, já ultrapassa 100 filmes por ano, evidencia o estudo. Íntegra.

Confira todas as análises da Carta de Conjuntura de agosto de 2015.

Impactos regionais da desaceleração no RS – Jaime Carrion Fialkow

Reflexos do ajuste monetário sobre a dívida das famílias brasileiras – Bruno Paim

Apesar do ajuste, agricultura familiar continua prestigiada – Elvin Maria Fauth

Evolução da taxa de atendimento da demanda por vagas no ensino superior – Lívio Luiz Soares de Oliveira

Padrão de evolução das indústrias gaúcha e brasileira por intensidade tecnológica – César Stallbaum Conceição

Desempenho da indústria no Rio Grande do Sul e no Brasil, em 2015 – Vinícius Dias Fantinel

Trajetória recente da taxa de lucro –  Alessandro Donadio Miebach

A cadeia do audiovisual no Rio Grande do Sul -Társon Núñez

 

 

Texto: Núcleo de Imprensa - FEE