FEE divulga Carta de Conjuntura de setembro

Nesta quinta-feira (15), a FEE lançou a Carta de Conjuntura do mês de setembro. Os temas de destaque são a mortalidade por causas externas no Estado em 2014 e transformações e permanências na América do Sul depois da Pink Tide.

Carta

O Diretor Técnico Martinho Lazzari (E) apresenta os textos da edição da Carta de Conjuntura de setembro

Das mais de 82 mil mortes no RS em 2014, quase 10% foram provocadas pelo que se denomina de mortalidade por causas externas, como homicídios, acidentes de transporte, suicídios, quedas e afogamentos. Os dados sobre aspectos da mortalidade por causas externas no RS em 2014 indicam que o nível de mortalidade dos homens devido a causas externas é cerca de quatro vezes o das mulheres. “Quase 80% desses óbitos ocorreram entre a população masculina, representando a terceira causa de morte dos homens”, aponta a estatística da FEE Marilene Bandeira. A pesquisadora destaca que essas são as mortes passíveis de prevenção e que, por isso, uma análise mais detalhada da mortalidade por causas externas é decisiva para a elaboração de políticas públicas. “A observação por faixa etária indica que a mortalidade por causas externas é o principal motivo de morte entre os homens gaúchos para as idades de um a 49 anos, o que representa cerca de 80% dos óbitos que ocorreram entre os jovens de 15 a 29 anos, indicando que um terço dos óbitos por causas externas se concentraram nessa faixa etária. Para as mulheres, os óbitos por causas externas ocorreram de maneira menos concentrada por faixas etárias, com percentuais que variam em torno de 10% entre as idades de 20 a 79 anos, destacando-se, porém, uma incidência maior entre aquelas com 80 anos ou mais, que apresentaram participação de 22% dos óbitos”, explica Marilene.

Dentre as categorias que compõem o grupo das causas externas de morte, o estudo revela que as quatro principais causas de óbitos foram: homicídios (34%), acidentes de transporte (26%), suicídios (14%) e quedas (10%). Os dados também indicam alta incidência de mortes violentas entre homens jovens. “Esse é um dos fatores que mais contribuiu para o diferencial na expectativa de vida ao nascer entre mulheres e homens no Estado, que é de cerca de sete anos, segundo estimativas do IBGE para 2014”, afirma Marilene. A pesquisadora também faz um alerta: a ocorrência de quedas é um acontecimento bastante comum entre os idosos. “Esse fato se torna mais preocupante ainda com o crescente envelhecimento da população gaúcha. Estimativas do IBGE indicam que 10% da população em 2014 tinham 65 anos ou mais, sendo que esse percentual deve crescer para 18% em 2030, representando um incremento populacional de quase um milhão de pessoas. Esse é um ponto que precisa ser pensado para a elaboração de políticas públicas”, avalia.

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Análises de Alessandro Miebach e Marilene Bandeira são os destaques da Carta de Conjuntura

Cenário da Pink Tide na América do Sul

A Carta de Conjuntura de setembro também destaca a análise do pesquisador em Economia Alessandro Miebach sobre as transformações e permanências na América do Sul depois da Pink Tide, ou seja, o conjunto de governos de esquerda e centro-esquerda que, com exceção da Colômbia, ditaram as políticas dos países da região na primeira década do século XXI. Sobre a trajetória econômica, o pesquisador aponta que, a partir de 2003, ocorreu a elevação do preço das commodities, que se originou da expansão chinesa. O pesquisador analisa ainda que, a partir de 2003, ocorreu a elevação dos salários mínimos, o que sofreu influência de características internacionais. “Em um ambiente de maior atuação estatal e de certa decepção com os resultados das prescrições do Consenso de Washington, observou-se o aproveitamento do boom para valorizar os salários e ampliar os programas de renda mínima, que contribuíram com a redução da pobreza e da desigualdade de renda”. No entanto, a análise pondera que, a partir de 2011, surgiram sinais de esgotamento desse ciclo de crescimento. “Os preços das commodities e os salários mínimos reais apresentaram tendência de estagnação e posterior queda, que se perpetua até hoje”.

Ao tratar desse processo histórico que acontece na América do Sul, Alessandro discute também aspectos positivos e limites da Pink Tide. “A Pink Tide foi bem-sucedida em modificar os padrões de exclusão social e de concentração de renda observado ao longo do século XX. Entretanto, foi incapaz de converter o empuxo externo em um processo de crescimento autônomo e sustentável, não promovendo transformações mais intensas nas estruturas socioeconômicas sul-americanas”, discute.

Confira as fotos da divulgação e os outros textos da edição:

Estratificação do imposto de renda por faixas de salários mínimos – Róber Iturriet Avila, João Batista Santos Conceição

Fluxos de entrada de investimentos diretos estrangeiros no Mundo —  Beky Moron de Macadar

Participação do RS e da Região Sul nas receitas e despesas do Governo Federal — André Coutinho Augustin

Petróleo barato: há vencedores e perdedores? – Clarissa Black

Gisele Reginato – Jornalista

Texto: Núcleo de Imprensa - FEE