FEE e SPM/RS lançam e-book com estudos de gênero

Adalmir e Ariane mulheres

O presidente da FEE Adalmir Marquetti e a secretária Ariane Leitão da SPM/RS no lançamento do e-book. Foto Claudio Fachel/Palácio Piratini

O Governo do Estado lançou nesta terça-feira (25), no auditório da FEE, em Porto Alegre, o e-book “Estudos das Condições das Mulheres e as Desigualdades de Gênero Existentes no Rio Grande do Sul”. A iniciativa é uma parceria entre a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) e a Fundação de Economia e Estatística Siegfried Emanuel Heuser (FEE). A obra – que pode ser acessada pelo endereço eletrônico – apresenta o resultado do levantamento e da análise de dados demográficos e sociais atualizados.

Autora de um dos artigos que compõem a publicação on-line, a secretária de Políticas para as Mulheres, Ariane Leitão, afirmou que as pesquisas possibilitam identificar que as desigualdades de gênero no Estado ainda persistem, fundamentadas em questões como o cumprimento de jornada dupla de trabalho, por parte das mulheres, a violência conjugal e a discriminação feminina no mercado de trabalho. Além de fundamentar diagnósticos da condição das mulheres no RS, o objetivo do estudo é contribuir para a formulação de políticas públicas específicas.

“Além de se dedicarem à profissão, as mulheres ainda precisam lidar com os afazeres domésticos. Estamos no século XXI e ainda nos deparamos com este tipo de divisão no ambiente de moradia, com tarefas femininas e tarefas masculinas. Situações provenientes de um fenômeno cultural em um cenário ainda preconceituoso que precisa ser enfrentado e modificado”, observou.

Conforme o presidente da FEE, Adalmir Marquetti, a ideia do estudo é levar à sociedade dados e informações que proporcionem o conhecimento sobre o público feminino no Estado. “Apresentamos assim um conjunto de pesquisas capazes de mostrar a realidade da sociedade gaúcha, desde a questão de sua colocação no mundo do trabalho até dados que nos levem a desenvolver ações para o enfrentamento da violência de gênero”, afirmou.

Sobre o e-book

Entre os temas abordados pelas pesquisadoras estão artigos com dados que evidenciam a presença feminina nas esferas pública e privada. As informações buscam proporcionar reflexões sobre os desafios que ainda se colocam para as mulheres gaúchas em sua vida cotidiana.

Uma das autoras do artigo “Condição de Vida das Mulheres e Desigualdades de Gênero no Rio Grande do Sul”, que integra o e-book, Clitia Helena Backx Martins destacou que as mulheres representam mais da metade da população gaúcha, conforme Censo de 2010 – são 5.488.872 mulheres, do total de 10.693.929 habitantes. Para a autora, se mantidas as atuais condições de vida, é provável que o crescimento da população feminina aconteça gradativamente ocasionando a feminização da população.

Tráfico de mulheres

Sob o tema “Tráfico Internacional de Mulheres para Fins de Exploração Sexual”, Ariane fez uma análise a partir da perspectiva de violação aos direitos humanos das traficadas. A secretária apresentou uma avaliação sobre os fatores sociais, econômicos, jurídicos e culturais que contribuem para a expansão deste fenômeno no país e, em particular, no Estado.

Conforme Ariane, do total de 1 milhão de pessoas traficadas anualmente para fins de exploração sexual, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho, 98% são mulheres. “Em todo o país estão identificadas 240 rotas de tráfico de pessoas. Da região Sul do Brasil, as mulheres são traficadas, principalmente, para Argentina, Paraguai, China, Portugal e Espanha”, ressaltou.
Violência contra a mulher

A pesquisadora Gabriele dos Anjos falou sobre “Violência contra Mulheres no Rio Grande do Sul: estudo a partir do Suplemento Vitimização e Acesso à Justiça da Pnad 2009”. No estudo, a autora apresenta que a maior parte dos casos de violência doméstica é cometido por cônjuges ou ex-cônjuges. “Neste contexto, as mulheres que mais sofrem violência doméstica estão na faixa etária entre os 50 e 65 anos com 29,7% dos casos”, revelou.

Mercado de trabalho

Com o tema a “A evolução do padrão de desigualdade de gênero no mercado de trabalho dos anos 2000”, Irene Maria Sassi Galeazzi examinou a inserção laboral feminina num contexto de desenvolvimento econômico, sob a premissa de que à maior estruturação do mercado de trabalho pode corresponder uma redução dos níveis de desigualdade de gênero.

“Entre os anos 2000 e 2012, por exemplo, a taxa de ocupação feminina passou de 80,4% para 91,8% respectivamente. Enquanto que a ocupação masculina passou de 85,8% para 94%. Fazendo com que a diferença entre as taxas de ocupação feminina e masculina tivesse um decréscimo de 2,3%”, analisou.

Texto: Luana Mesa
Fonte: http://www.rs.gov.br/conteudo/193783/lancado-e-book-com-estudo-sobre-desigualdade-de-genero-no-rs

 

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Texto: Núcleo de Imprensa - FEE