Julho tem a pior taxa de desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre desde 2009

O mês de julho registra o aumento da taxa de desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre e a retração do nível ocupacional. Os dados foram captados pela Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED-RMPA) divulgada nesta quarta-feira, 26, na sede do DIEESE. A taxa de desemprego total vem subindo desde março (6,2%), passando de 8,5 em junho para 9,4 % da população economicamente ativa (PEA) em julho, estimando 179 mil pessoas. Houve um acréscimo de 16 mil indivíduos em relação ao mês anterior. Essa é a maior taxa de desemprego para o mês de julho desde 2009. A RMPA perdeu para Fortaleza (8%) a condição de menor taxa das regiões metropolitanas do país.

 

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(E) Michele Bohnert (FGTAS), Rafael Caumo (FEE) e Virgínia Donoso (DIEESE)

Virgínia Donoso, economista do DIEESE, explica que esse resultado ocorreu porque a redução do nível ocupacional (-24 mil pessoas) foi maior que a retração da PEA, que teve a saída de oito mil pessoas do mercado de trabalho. Na prática, significa que um número menor de pessoas estava procurando uma vaga, mas ainda assim foi grande o número de desempregados. “O ritmo de crescimento do desemprego está acelerado. No comparativo de julho de 2015 com julho do ano passado houve um incremento de 72,1% no número de desempregados, passando de 104 mil em 2014 para 179 mil neste ano”, salienta Virgínia. Registrou-se um avanço de 64,9% na taxa de julho (5,7% em 2014 para 9,4% em 2015). Virgínia destaca, contudo, que esse resultado de julho é ruim, mas ainda distante do pior ano para esse mês que foi 1999, com uma taxa de 19,4%.

Para a coordenadora técnica do Sistema PED, Lúcia Garcia, os números são preocupantes porque indicam uma ascensão extraordinariamente acentuada do desemprego na Região Metropolitana. “Há uma forte degradação do mercado de trabalho e é necessário pontuar alguns aspectos. Verificamos o retorno do crescimento do emprego doméstico. Que emprego é esse que está reaparecendo em um contexto mais precário? Também há o registro da diminuição do emprego público. De junho para julho deste ano houve a queda de 10 mil empregos nesse setor. O emprego público, além de atender o cidadão, também tem uma função social de manutenção da renda”, avalia. O economista da FEE Raul Bastos aponta que o emprego público na RMPA representa 11% da ocupação total. “Nos Estados Unidos o emprego público alcança 16% e na França chega a 22% do emprego total. Ao contrário do que muitos dizem, nós temos uma proporção bem inferior com relação às nações desenvolvidas”, analisa.

Como aspecto positivo do comportamento do mercado de trabalho em julho está o crescimento de 6,1% do setor da construção civil, o que representou a elevação de sete mil vagas. Lúcia Garcia avalia que esse crescimento não se deve à construção de habitações, mas está sustentado pela retomada de obras públicas. “Várias grandes obras retomaram o ânimo em Porto Alegre e Região Metropolitana, como a construção da quarta pista da Freeway e a nova ponte do Guaíba. Assim o setor público interfere positivamente em um mercado de trabalho ameaçado” , analisa.

A pesquisa PED-RMPA é executada pela FEE, em convênio com FGTAS, PMPA, SEADE, DIEESE e apoio financeiro do MTE/FAT.

Acesse a pesquisa na íntegra.

 

Texto: Núcleo de Imprensa - FEE