O aprofundamento da crise e os mais afetados pelos seus efeitos entre as questões analisadas na Carta de Conjuntura de abril

A Fundação de Economia e Estatística lançou nesta terça-feira, 12, a quarta edição da Carta de Conjuntura 2016. Os destaques de capa e contracapa da edição são as análises Os impactos da atual recessão econômica na mobilidade de renda dos domicílios gaúchos, do economista Jéfferson Colombo e A crise e a política econômica brasileira em 2015 , do economista André Contri.

mesaCARTAABRIL

Os economistas Jéfferson Colombo, André Contri (Centro) e Martinho Lazzari

A análise do economista Jefferson Colombo procura responder quais classes econômicas são mais afetadas pela atual crise e como se deu a dinâmica de transição dos domicílios gaúchos entre distintas faixas de poder aquisitivo, a partir dos efeitos causados pela deterioração do nível de emprego e salário em 2015.  Os resultados mostram que, no ano, houve um aumento de 15,1% na proporção de domicílios considerados como de classe baixa, e que 9 em cada 10 domicílios que entraram para esta classe vieram da classe média. “Portanto, a recessão tem atingido, com grande intensidade, domicílios de renda mediana, muitos dos quais provavelmente haviam saído da condição de pobreza no período anterior, em que o crescimento da renda real do trabalho levou muitas famílias a abandonarem a situação de vulnerabilidade extrema”, explica Colombo.  Além dessa constatação, outro aspecto crucial para o entendimento da mobilidade de classes, segundo o pesquisador, é a maior rigidez e dificuldade de transição para faixas de renda mais elevadas.

andréCARTA

André Contri

No artigo de contracapa, o economista André Contri aponta que em 2015 a crise econômica brasileira se aprofundou tanto pelo lado da produção quanto da demanda doméstica. “Do ponto de vista das atividades econômicas, o impacto maior da crise se deu sobre a indústria de transformação, que apresentou uma queda de 9,8% no seu valor agregado. Este desempenho veio somar-se a outras quedas que já haviam sido verificadas em 2012 e 2014, de 2,4% e 3,9%, respectivamente. Com isso, a indústria de transformação terminou 2015 com o mesmo nível de produção de 2005”, destaca o pesquisador. Contri aponta como fatores determinantes para o aprofundamento da crise, o baixo crescimento da economia mundial desde 2008, a crise política que acabou comprometendo os investimentos da Petrobrás e de grandes empreiteiras e a própria estratégia de política de ajuste fiscal promovida pelo governo federal. “Acho uma irresponsabilidade fiscal tentar fazer um ajuste em ano de recessão. Deu no que deu, a recessão se aprofundou”, opina. O pesquisador sugere medidas de política econômica de curto prazo. “Em primeiro lugar, a manutenção da busca de superávits primários através de redução dos gastos governamentais continuará sendo um importante entrave para a retomada do crescimento (…) Em segundo lugar, elevar a taxa de juros, na conjuntura atual, seria ineficaz e injustificável para o combate inflacionário”, conclui. Para Contri, por diferentes motivos, esta é a crise mais grave que se tem registro. “Seja pela queda na indústria, seja pela redução de investimentos, me parece a crise mais complexa que enfrentamos, porque retrocedemos muito rápido o que custamos a conquistar. A reinserção internacional do Brasil será muito difícil”, prevê o economista.

Os outros temas da edição deste mês são:

  • Perfil Sociodemográfico do Desempregado em 2015 na RMPA;
  • Desigualdades regionais no RS entre 2010 e 2013;
  • A expectativa em torno da implementação da Previdência Complementar;
  • Habitação de interesse social urbana e o Minha Casa Minha Vida no RS;
  • A expansão das Instituições de Ensino Superior do RS na capital e no interior;
  • Ajuste externo e política cambial no Brasil;
  • Por uma estratégia microeconômica e heterodoxa de combate à inflação.

É possível acessar o vídeo com o pesquisador Jéfferson Colombo e  a Carta de Conjuntura completa.

Sandra Bitencourt- Jornalista

Texto: Núcleo de Imprensa - FEE