Outubro registra taxa de desemprego estável na RMPA

Depois de sete meses de crescimento, a taxa de desemprego total na Região Metropolitana de Porto Alegre registrou estabilidade, permanecendo em 10,1% da População Economicamente Ativa (PEA). Desde março a taxa de desemprego total da RMPA seguia em elevação e, em setembro, atingiu os dois dígitos, mantidos agora em outubro. É o que apontam os dados divulgados nesta quarta-feira, 25, pela FEE, DIEESE e a FGTAS.

PEDOUTUBRO

Imprensa acompanha a divulgação dos dados pelos pesquisadores: Lúcia Garcia (à esquerda, em pé), Iracema Castelo Branco, Michele Bohnert, Rafael Caumo e Virgínia Donoso

A taxa de desemprego aberto também se manteve estável, oscilando de 8,8% (setembro) para 8,7%. Em números absolutos, houve redução de duas mil pessoas desempregadas com relação ao mês anterior. O número total de indivíduos desempregados em outubro foi estimado em 188 mil pessoas. Esse número não se deu pelo aumento de vagas, mas porque ocorreu a saída de 16 mil pessoas do mercado de trabalho, contingente superior ao decréscimo do nível ocupacional. Conforme destaca a economista da FEE Iracema Castelo Branco, a maior parte das pessoas que saiu do mercado de trabalho tem mais de 50 anos. “Isso pode ser interpretado como efeito da nova regra 85-95 que substitui o fator previdenciário e aqui no RS pela insegurança frente ao cenário de atrasos salariais e possíveis mudanças na previdência do Estado. As pessoas se sentem inseguras, com receio de perder benefícios”, analisa. Para Iracema, o Estado vive um momento de transição demográfica e deve pensar em políticas para incentivar a permanência por mais tempo no mercado de trabalho. “O RS é um dos estados mais afetados com o envelhecimento da população, tem um processo bem forte de envelhecimento da população e é preciso buscar alternativas para manter essas pessoas produzindo riqueza”, recomenda.

Apesar da estabilidade revelada em outubro, a economista do DIEESE Virginia Donoso avalia que a retração do nível ocupacional (de 0,8%), estimado em 1.678 mil, é preocupante. “Nos meses de outubro de anos anteriores a gente tinha nesta época um aquecimento da economia, com o comércio contratando em função da injeção do 13º salário na economia e das compras de natal e fim de ano. O outubro de 2015 foi atípico porque, em função da crise, tivemos uma retração de oito mil pessoas neste mês, enquanto em anos anteriores tínhamos um crescimento com contratação na ordem de 10 mil pessoas”, explica.

Houve redução nos serviços (-1,2%), no comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (-2,5%). Já na indústria de transformação foi registrada relativa estabilidade (-0,4%) e aumento na construção (3,5%).

O rendimento médio real apresentou variação negativa para o total de ocupados (-0,4%)  e redução para os assalariados (-1,4%), enquanto os trabalhadores autônomos tiveram variação positiva (0,4%).

Com esses dados, a RMPA se coloca em segundo lugar entre as Regiões Metropolitanas que são pesquisadas pelo sistema PED. Fortaleza se mantém como a região com o menor índice de desemprego (9,4%), embora tenha registrado aumento na taxa, como aponta a Coordenadora do sistema PED, Lúcia Garcia. “Quanto menor a taxa de desemprego, maior a tendência de crescimento da taxa, mais espaço para aumentar os números. Foi oque aconteceu em Fortaleza e no Distrito Federal, que apresentaram elevação em outubro, mas de modo geral todas as regiões apresentaram estabilidade na taxa de desemprego”, explica.

Confira os dados completos

Sandra Bitencourt – Jornalista

Texto: Núcleo de Imprensa - FEE