Palestrantes debatem a viabilidade de acordo entre Mercosul e União Europeia

Nesta quinta-feira, 20, o consultor internacional de empresas Frederico Behrends (FIERGS) e o professor da UFRGS Luiz Augusto Faria debateram as negociações entre Mercosul e União Europeia. O evento integrou a programação de lançamento da oitava edição da Panorama Internacional FEE, publicação bilíngue que trata das interações entre o RS e o mercado global.

Segundo o pesquisador da FEE Robson Valdez, mediador do debate, as tratativas de negociação de um acordo entre o Mercosul e a União Europeia se arrastam há pelo menos duas décadas e, recentemente, tiveram importantes desdobramentos. com a apresentação recíproca de propostas atualizadas. “Esse tema gera discussões tanto no plano empresarial quanto na academia e por isso é fundamental que o analisemos”, avalia.

Frederico Behrends (E) e Luiz Augusto Faria (D) realizam palestra na FEE, com mediação de Robson Valdez

Frederico L. Behrends, consultor internacional de empresas com mais de 40 anos de experiência em comércio exterior, afirma que não dúvidas da implementação do acordo. “O acordo deve ter um entendimento político até o fim deste ano, para ser implantado em 2018”, avalia. Segundo Behrends, que é conselheiro e consultor de Comércio Exterior da FIERGS, o acordo trará benefícios ao setor agropecuário e agroindustrial brasileiro, com vantagens especialmente para o RS. “O RS é o grande beneficiado com o acordo. Na área de agronegócio o RS vai disparar”, exemplifica. Behrends pontua, entretanto, que as empresas devem se preparar para aumentar a competitividade como também para aproveitarem os ganhos de acesso ao mercado. “Alguns setores como máquinas e produtos eletroeletrônicos vão sofrer maior impacto. Como toda abertura de mercado, há impacto. Há empresas que se não se adequarem vão ter muita dificuldade. Mas, no quadro geral, o mercado vai crescer e o consumidor vai se beneficiar com produtos mais avançados”, opina.

Já Luiz Augusto Faria, professor da UFRGS no Programa de Pós-Graduação em Estudos Estratégicos Internacionais e nos cursos de graduação em Ciências Econômicas e em Relações Internacionais, acha que há entraves para o acordo ser implantado. “A internacionalização na cultura, sociedade e economia faz parte. Mas o que se está discutindo é o formato em que irá se dar a negociação”. Para Faria, o acordo de livre-comércio traz algumas oportunidades, mas também traz riscos. Ele entende como uma oportunidade que o Brasil iria abrir um mercado grande de renda alta, mas para ele esse mercado quase não cresce e deve continuar assim por alguns anos. “A Europa tem interesse no nosso mercado interno de produtos industriais e serviços. Já o Mercosul aposta em obter mercado agrícola para a Europa e isso eu acho de difícil concretização. Nós enfrentamos a muralha do protecionismo da política agrícola da União Europeia e há pouca margem de concessão”, pontua.

As análises dos palestrantes também podem ser conferidas na entrevista Acordo comercial entre Mercosul e União Europeia em debate, publicada nesta edição da Panorama Internacional FEE. Confira também as fotos do evento.

Gisele Reginato – Jornalista

Texto: Núcleo de Imprensa - FEE