Recuo das exportações coloca RS em 6º lugar no ranking nacional

No primeiro trimestre de 2016, o Rio Grande do Sul perdeu duas posições no ranking nacional dos estados exportadores. Ultrapassado pelo Mato Grosso e pelo Paraná, o RS passa a ocupar a sexta posição, com 6,9% das exportações brasileiras (ante 7,2% em 2015).  Os dados foram apresentados pela FEE nesta terça-feira, 26.

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Tomás Torezani (E), Martinho Lazzari e Renan Xavier Cortes na divulgação do índice de exportações do 1º trimestre de 2016

As vendas do Rio Grande do Sul para o exterior somaram US$ 2,809 bilhões no primeiro trimestre de 2016, uma redução de US$ 284,6 milhões em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita em dólar retraiu-se com maior intensidade no Estado (-9,2%) que a observada no País (-5,1%), registrando o menor valor no RS para o período desde 2010. O crescimento do volume embarcado não foi suficiente para evitar o recuo. O RS registrou 10,4% de crescimento no volume, contra 18,2% de aumento do Brasil. Mesmo com quedas similares nos preços (-17,7% RS e -19,7% Brasil), o RS ficou abaixo do desempenho brasileiro.

Para o pesquisador em economia da FEE, Tomás Torezani, a perspectiva para o segundo trimestre é que o Rio Grande do Sul recupere sua posição. Torezani destaca vários aspectos que permitem um prognóstico positivo: os efeitos das ações do Plano Nacional de Exportações, o ajuste do câmbio, a produção agrícola gaúcha e a expectativa de que nossos principais mercados (EUA, China e Argentina) comprem mais, especialmente os produtos básicos. O diretor técnico da FEE, economista Martinho Lazzari, chama a atenção para  a questão sazonal, já que Mato Grosso e Paraná colhem e exportam sua produção de soja e milho um pouco antes do Rio Grande do Sul. “A análise dos gráficos mostra que a tendência é o Rio Grande do Sul recuperar posição a partir de maio e abril. O Mato Grosso, por exemplo, participou com 6,2% das exportações em 2015 e aparece com 9,4% neste primeiro trimestre. Nos próximos trimestres deve ocorrer um retorno à média de desempenhos normalmente registrados ao longo do ano”, pontua.

Torezani aponta que a retração no valor exportado continua se devendo ao recuo dos preços dos produtos, na medida em que o volume embarcado continua evoluindo positivamente. “Tal retração em preços é influenciada pelo recuo dos preços internacionais das commodities e da depreciação do real frente ao dólar, a qual torna os produtos brasileiros mais baratos no exterior”, explica.

A redução das divisas de exportação se deu nos grupos de produtos básicos (redução de US$ 276,1 milhões, ou -19,6%) e nos manufaturados (redução de US$ 137,8 milhões, ou -9,8%). Houve elevação das receitas das vendas de semimanufaturados (US$ 143,6 milhões, ou 57,8%), principalmente porque aumentaram muito as vendas de celulose (+US$ 148,7 milhões; +669,2% em valor e  +700,2% em volume), especialmente para a China. Mas este grupo de produtos registra baixa participação nas exportações gaúchas: 14,0%, enquanto os produtos básicos contribuíram com 40,2% e os manufaturados com 45,0%.

O desempenho negativo do grupo dos produtos básicos foi puxado principalmente pelo recuo das vendas de trigo em grãos (-US$ 138,8 milhões; -66,1% em valor, -57,5% em volume e -20,2% em preço) e de farelo de soja (-US$ 95,9 milhões; -40,0% em valor, -21,5% em volume e -23,7% em preço). Para Tomás, esse desempenho negativo do trigo se deve à alta base de comparação em 2015, maior da história, com embarques atipicamente muito elevados e ao baixo volume embarcado em 2016 em relação à média exportada do período analisado. “Em 2016 não foram contabilizados embarques para Tailândia, Bangladesh (os dois principais destinos em 2015) e Coreia do Sul (o quarto principal destino). Em 2015, o total vendido para esses três países somou 70% do total embarcado do produto, o que contribuiu para a redução de 57,5% em volume registrada em 2016. Ademais, a redução das vendas de trigo gaúcho se seu nos dois primeiros meses do ano, enquanto em março foi contabilizado crescimento”. Quanto ao farelo de soja, o recuo de 68% em volume e de 92% em valor das vendas para a Holanda explica o desempenho desfavorável.

A retração das exportações de produtos manufaturados (-US$ 137,8 milhões) foi explicada principalmente pelo recuo nas vendas de máquinas e aparelhos para uso agrícola, ônibus e motores para veículos automotores.

Os cinco principais produtos exportados pelo Rio Grande do Sul no 1º trimestre de 2016 foram fumo em folhas (9,8% do total geral), polímeros plásticos (9,5%), carne de frango (7,9%), celulose (6,1%) e farelo de soja (5,1%). Os mercados de destino foram Estados Unidos (10,6% do total), China (9,7%), Argentina (9,1%), Alemanha (3,2%) e Uruguai (3,0%).

Sandra Bitencourt-  Jornalista

Texto: Núcleo de Imprensa - FEE