Revisão dos dados de 2013 mostra PIB gaúcho como o que mais cresceu, mas também revela perda de posição do RS

Em 2013, o PIB do Rio Grande do Sul cresceu 8,2%, enquanto a economia nacional cresceu 3,0%. Este resultado decorreu da recuperação da agricultura depois da seca de 2012 e do bom desempenho da Indústria de Transformação e do Comércio. Contudo, o Estado perdeu em 2013 a quarta colocação no país ao ser ultrapassado nas economias estaduais pelo Paraná. Os dados foram apresentados nesta quinta-feira, 19, na FEE. A revisão feita pelo IBGE e a Fundação de Economia e Estatística possibilita a comparação com as outras Unidades da Federação.  De acordo com o economista Roberto Rocha, coordenador do Núcleo de Contas Regionais da FEE, apesar do Rio Grande do Sul ter sido o estado que mais cresceu no país em 2013, a queda na posição ocorreu devido às dificuldades do setor elétrico no Estado. “Entre 2010 e 2013, o Valor Adicionado da atividade que reúne a Energia Elétrica, o Saneamento e a distribuição de Gás perdeu, por conta da redução de receitas e do aumento de custos do setor elétrico, mais de 1,9 bilhões de reais. Como a diferença entre o PIB gaúcho e o paranaense em 2013 é de pouco mais de 1,7 bilhões, o mesmo desempenho de 2010 do setor teria mantido o RS no quarto lugar”.

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Economistas Roberto Rocha (E), Juarez Meneghetti, Supervisor do Centro de Informações Estatísticas, e Igor Morais, presidente da FEE, analisaram os dados apresentados

A revisão dos dados passados se estende até 2010 porque houve mudança de metodologia e a nova referência começa nesse ano. O IBGE e a FEE iniciam a nova série já com a atualização metodológica e revisam também os dados de 2011 a 2012.

Em 2010, devido à aplicação da nova metodologia, o RS perdeu 0,49 pontos percentuais de participação no PIB nacional em relação à antiga série. Dentre as diversas mudanças metodológicas que explicam esta alteração, destaca-se a exclusão do déficit previdenciário do valor adicionado da administração pública estadual.  Rocha explica que “algumas Unidades da Federação, entre elas o RS, incluem como despesa em seus balanços os recursos necessários para cobrir o déficit previdenciário. Como estes valores não se constituem em valor adicionado (apenas as contribuições previdenciárias dos ativos o são), sua exclusão das contas tem como objetivo aferir mais adequadamente a contribuição do setor público na economia”.

Nos anos 2011 e 2012,  o Rio Grande do Sul apresentou as taxas de, respectivamente, 4,4% e     -2,1%, este último ano impactado pela seca que castigou o Estado.

Na nova série o PIB per capita do Rio Grande do Sul se mantém em média 10% acima do valor per capita nacional . O Estado iniciou essa nova série, em 2010, em 6⁰ lugar entre as Unidades da Federação. Manteve esta posição em 2011, mas perdeu o posto para o Paraná em 2012, em função da queda do PIB. Em 2013, apesar do PIB per capita do RS crescer bastante e alcançar um nível 12,1% superior ao do país, o Paraná ainda ficou à frente.

Roberto Rocha destaca que uma inovação importante desta nova série do PIB é a divulgação de uma Conta de Renda por Unidade da Federação. “Nela, os componentes do PIB são divididos entre remuneração, impostos totais sobre a produção e excedente operacional bruto somado ao rendimento misto. No caso do Rio Grande do Sul, os rendimentos e os impostos têm uma participação no PIB inferior à média nacional”. Segundo o economista, “com esta nova informação poderemos começar a observar como o desempenho econômico impacta a distribuição funcional da renda no Estado”.

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Sandra Bitencourt

Jornalista

 

Texto: Núcleo de Imprensa - FEE