Taxa de desemprego na RMPA tem sexta elevação consecutiva

A taxa de desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), que era de 9,4%, em julho, passou para 9,7%, em agosto. É a sexta elevação consecutiva. Os dados integram a Pesquisa de Emprego e Desemprego, divulgada nesta quarta-feira (30), pela Fundação de Economia e Estatística (FEE), pela Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE).

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(Esq) Pesquisadores Iracema Castelo Branco (FEE), Rafael Caumo (FEE), Virgínia Donoso (DIEESE), Michele Bohnert (FGTAS), Juarez Santinon (Diretor-Presidente da FGTAS) e Pedro Francisco da Silva Filho (Diretor-Técnico da FGTAS)

Ao todo, estima-se que 184 mil pessoas estejam desempregadas, um acréscimo de cinco mil indivíduos em relação ao mês anterior. Esse resultado é a combinação de dois fatores: uma redução do nível ocupacional (menos 12 mil pessoas) e a saída de 7 mil pessoas do mercado de trabalho na RMPA.  Para a economista da FEE Iracema Castelo Branco, “é possível que essas pessoas tenham desistido de procurar emprego por enquanto, com perda da esperança. É o que chamamos de desemprego pelo desalento”. A pesquisadora pontua que o cenário recessivo da economia brasileira tem impacto também no desemprego, especialmente porque a agricultura – único setor que cresceu no primeiro semestre de 2015 –  não beneficia a RMPA.

Em relação aos setores de atividade econômica, agosto registra diminuição do nível ocupacional na indústria (- 9 mil) e nos serviços (-15 mil). Na construção civil houve estabilidade e crescimento foi registrado apenas no comércio, com sete mil novos postos de trabalho. No entanto, trata-se de um acréscimo que ainda não compensa a perda no setor em julho de 2015. Questionada sobre as perspectivas para os próximos meses, a pesquisadora do DIEESE Virgínia Donoso salientou que, “apesar do impacto que a recessão brasileira tem em todos os setores, o segundo semestre sempre tende a ser melhor para o comércio”.

No trabalho assalariado, a redução refere-se, exclusivamente, ao setor público (menos 5 mil postos), com estabilidade no setor privado, tanto para os trabalhadores com carteira assinada quanto para os sem carteira. Houve diminuição dos autônomos (menos 4 mil, ou -1,7%) e de empregados domésticos (menos 5 mil, ou -5,1%). os dados registram ainda aumento de duas mil novas posições de trabalho para empregadores, donos de negócio familiar, trabalhadores familiares sem remuneração, profissionais liberais, entre outros. “Dado o quadro do crescimento das taxas de desemprego, a FGTAS tem realizado diversas ações para o encurtamento da distância entre o desemprego e os novos postos de trabalho”, pondera a pesquisadora da FGTAS Michele Bohnert, que apresentou o estudo.

Entre essas iniciativas, destaca-se o Empregar-RS, que será realizado no dia 16 de outubro, numa ação do Governo do Estado, que vem sendo conduzida pela FGTAS. O diretor-técnico da Instituição, Pedro Francisco da Silva Filho, salienta que “é uma atividade que envolve quase 90 das agências conveniadas ou próprias da FGTAS. A partir de um cadastramento de vagas, este esforço concentrado dos agentes de desenvolvimento tem por objetivo dar agilidade aos que buscam novas colocações num cenário adverso. É difícil dizer se o pior já passou e afirmar até onde esta retração vai durar”.

A PED-RMPA é mensal e agrega dados sobre emprego, desemprego e rendimentos da População Economicamente Ativa, desde junho de 1992. A pesquisa PED-RMPA é executada pela FEE, em convênio com FGTAS, PMPA, SEADE, DIEESE e apoio financeiro do MTE/FAT.

Íntegra da pesquisa. 

Texto: Núcleo de Imprensa - FEE