RS no Cenário Mundial

Este trabalho foi originalmente apresentado no Seminário Cenários Internacionais para o Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Sul, realizado nos dias 5 e 6 de dezembro de 2012, no Auditório do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), em Porto Alegre.
Os artigos assinados são de exclusiva responsabilidade dos autores.

APRESENTAÇÃO

Os exitosos cenários internacionais

O mundo é hoje o lugar de uma economia e uma sociedade tendendo a mais plena mundialização. Isto quer dizer que se os Estados continuam nacionais, cada vez mais eles atuam sobre um espaço, onde a economia que se inscreve no seu território é cada vez mais mundializada. Adquire-se a percepção desse fato quando se analisam as cadeias produtivas de valor. Essas cadeias, na verdade, não são necessariamente apenas produtivas, pois fazem parte de anéis financeiro-produtivos, encadeando e entrelaçando um vasto número de corporações, firmas e empresas. E são tão amplas tais conexões, que chegam até aos chamados “arranjos Produtivos locais”, enlaçados que estão em torno de um eixo principal. A significação aparece muito clara: a economia e a concorrência são mundiais – e as cadeias balizam e definem o desenvolvimento internacional, nacional e estadual.

É nesse ponto que se pode tentar equacionar algo contemporâneo da relação entre o Estado e o capital, ou entre o Estado e as firmas. Estamos vendo uma dupla competição. Uma entre os Estados, a chamada de concorrência interestatal; e outra, entre os próprios capitais, chamada de concorrência intercapitalista. É sobre essa base de disputa que surge o “face a face” do Estado com o setor empresarial privado. Num contexto de adversidade do neoliberalismo batido em 2007/8, contudo em processo de transformação, aproximações e contrastes, é fundamental perceber o que tem mudado profundamente com o tempo. Se nos anos 1930, o Estado definiu muito fortemente a relação entre o público e o privado, a partir dos anos 80 do século passado o setor Privado veio configurando muito o conjunto de políticas monetárias, financeiras, fiscais, tributárias e distributivas dos Estados nacionais. O fenômeno em pauta, consequentemente, tem afetado o poder público em toda sua extensão, refletindo na atividade dos poderes estaduais e municipais.

Pois é dentro desse quadro mundial e local que o seminário “Cenários Internacionais para o Desenvolvimento Econômico do
Rio Grande do Sul” se constituiu como parte de uma estratégia de formação e preparação das equipes da Secretaria de Desenvolvimento e Promoção do Investimento – SDPI, da Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento – AGDI e dos bancos BADESUL E BRDE, componentes do Sistema de Desenvolvimento, para atuar na esfera da economia planetária e regional. O objetivo, quando o seminário foi planejado, era trabalhar, primeiro, na direção de uma estratégia de integração do Rio Grande do Sul e do Governo Tarso Genro, no desenvolvimento da economia instalada no Brasil, articulada à economia mundial. E, em segundo lugar, na focalização da estratégia para operações ativas e receptivas visando à atração e internacionalização dos investimentos. Daí a necessidade:

(1) de um conhecimento mais aprofundado das linhas e tendências da economia,
(2) de uma preocupação e discussão da inserção do Brasil no Mundo,
(3) de um entendimento das relações decisivas e definidoras entre Estado e empresa multinacional,
(4) das possibilidades de atuação e competição do Rio Grande do Sul nesse contexto,
(5) de uma proposição de estudos e de uma compreensão das cadeias de valor mundiais em todas as suas dimensões e facetas que transitam pelo espaço brasileiro e gaúcho,
(6) e, principalmente, de um conhecimento o mais detalhado possível de casos concretos, através de depoimentos de atores privados e órgãos públicos envolvidos com o processo em curso.

O traço marcante do “Cenários Internacionais” passava por uma ideia substancial: uma relação dinâmica entre teoria e prática com a hegemonia da prática, para alcançar o ponto principal – ampliar as figuras do desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul.

O clima de entusiasmo desse seminário foi evidente porque as perspectivas da integração do Rio Grande do Sul no panorama mundial ficaram muito mais nítidas, com as intervenções de economistas, empresários, operadores estratégicos, pesquisadores públicos e privados. O resultado proporcionou uma ampliação da visão geopolítica e geoeconômica do Brasil – e, evidentemente, do nosso Estado. E no decorrer das exposições e dos debates, a clareza sobre as múltiplas questões ligadas a pontos específicos, permitiram e asseguraram ao Sistema de Desenvolvimento a construção de uma visão estratégica global e uma visão pragmática decisiva.

Entre o conhecimento amplo e o foco, o seminário teve uma grande virtude: incrementou uma franca e desembaraçada discussão do tema. E, ao mesmo tempo, foi feliz ao dar um significativo impulso ao trabalho do próprio Sistema de Desenvolvimento, já experiente através de algumas incursões internacionais.

Faz parte do desempenho da SDPI, como secretaria titular do Sistema citado, o sentido da transversalidade governamental, onde se destaca, inclusive, um apoio ao trabalho da Assessoria de Cooperação e Relações Internacionais do Gabinete do Governador, indicando o caminho de uma estratégia consistente para o Estado do Rio Grande do Sul.

E, diante das duas polaridades – a da geopolítica e a da geoeconomia mundial – se destaca nova configuração de nações e avanço multivariado das empresas e corporações nos territórios nacionais. Assim, uma nova urgência se fez presente: ambos os tabuleiros tinham que ser escrutinados, examinados, revolvidos, pesquisados, esquadrinhados, uma vez que o foco sem lente é apenas um tiro sem a certeza de chegar ao alvo. E a visão teórica sem a descida a campo não passaria de um trabalho útil, mas sem o complemento de uma expansão do desenvolvimento econômico.

O leitor desses Cenários pode perceber o criterioso itinerário da escolha dos painéis. O seminário inicia com um painel sobre a “Economia Internacional Contemporânea” e se desdobra numa apresentação e debate sobre o tema: “Política Industrial, Comercial e Investimento Direto: Existe um Projeto de Inserção Externa para o Brasil?” O que vem a seguir segue a trilha da internacionalização da economia brasileira, e como a economia não atua no vazio, surge a questão da organização das cadeias produtivas internacionais, tratada, dentro das possibilidades do seminário, em cima de estudos de casos. A variação dos trabalhos foi da indústria oceânica à indústria eletroeletrônica, passando pelas cadeias globais de valor na agroindústria, com análise específica do complexo da soja.

Cabe salientar que ocorreram muitos níveis de discussão que estão salientados e assinalados e registrados no bojo dos textos, mas vale dizer que o seminário foi concebido graças a André Scherer, da Fundação de Economia e Estatística, a Ivan De Pellegrini, da AGDI, e a Mariela Klee, da SDPI, e com a minha própria participação. E o êxito do evento se deveu ao apoio do secretário Mauro Knijnik, às intervenções dos integrantes do Sistema de Desenvolvimento, e aos múltiplos convidados dos órgãos públicos nacionais e estaduais e aos diversos empresários que dinamizaram o encontro com exposições, comentários, depoimentos, avaliações e sugestões. A todos, o agradecimento da Secretaria de Desenvolvimento e Promoção do Investimento pelo efetivo sucesso desse ambicioso “Cenários Internacionais”.

ENÉAS DE SOUZA
Secretário Adjunto da SDPI
de agosto 2012 a julho 2013

PAINEL 1 – ECONOMIA INTERNACIONAL CONTEMPORÂNEA

  1. A globalização do capital e a lógica da localização da empresa multinacional contemporânea — André Luís Forti Scherer
  2. Tendências do comércio e do investimento direto estrangeiro após a crise financeira mundial — André Cunha
  3. Case Artecola — Eduardo Kunst

PAINEL 2 – POLÍTICA INDUSTRIAL, COMERCIAL E DE INVESTIMENTO DIRETO: EXISTE UM PROJETO DE INSERÇÃO EXTERNA PARA O BRASIL?

  1. A inserção internacional do Brasil: ideias a partir da experiência da ABDI — Roberto de Reis Alvarez
  2. Case Stara — Cristiano Buss

PAINEL 3 – INTERNACIONALIZAÇÃO DA ECONOMIA BRASILEIRA

  1. Promoção comercial do Brasil — Marcos Tadeu Caputi Lélis 
  2. Política de Investimento Direto no Brasil: a internacionalização da Economia Brasileira — Alexandre Petry
  3. Case Marcopolo — Walter Cruz

PAINEL 4 – CADEIAS PRODUTIVAS INTERNA-CIONAIS: ESTUDO DE CASO

  1. Cadeias globais de valor e estratégias de localização na indústria eletroeletrônica — Celso Peter
  2. Case HT Micron/Altus — Ricardo Felizzola
  3. Cadeias globais de valor no agronegócio: o caso do Complexo Soja — Rodrigo Daniel Feix
  4. Case Cotrijal — Nei César Mânica
  5. A cadeia mundial da indústria oceânica e seus elos — Oscar Azevedo
  6. Case IESA — Fleury Pissaia
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